
A trilogia O Despertar da Força, Os Últimos Jedi e A Ascensão Skywalker, que chamamos de trilogia sequel, é uma das sequências cinematográficas mais criticada pelo público – não só por especialistas e fãs, mas o público em geral. Mesmo com os efeitos especiais que enriquecem o filme, o enredo, a protagonista e o vilão diminuem a experiência do espectador a meros filmes sci-fi sem nada que seja marcante ou que “desperte a força” em nós, espectadores.
E os problemas não se limitam ao filme, é no backstage que o problema mora, desde o começo da produção de O despertar da Força, 2015, que a trilogia se autodestruiu. Há evidências concretas de racismo nos bastidores da produção do primeiro longa, John Boyega (Finn) relatou, diversas vezes, os casos de racismo dentro dos estúdios durante a produção do filme. Entretanto, nas redes sociais o “fandon” da série acusou o filme de ser “anti-branco” por causa do protagonismo de John Boyega e de outros personagens em destaque não serem atores homenes e brancos.
John Boyega relatou que o seu protagonismo no filme foi deixado de lado por causa de uma hierarquia de protagonismos (que envolviam Adam Driver e Daisy Ridley, ambos brancos). E dentro da entrevista do ator podemos perceber algumas semelhanças com a produção de Joostice (a versão de 2017 de Liga da Justiça, de Joss Whedon), principalmente em relação aos atores negros: John Boyega e Ray Fischer, Finn de Star Wars e Ciborgue de Liga da Justiça, ambos negros, tiveram seus papeis diminuídos por serem negros e por questões comerciais que são pautados no racismo – um exemplo disso, são os colecionáveis do personagem Finn que verderam menos de 65% do esperado.
É quase de senso comum que em Star Wars episódio VII o personagem que “despertaria a força” seria o Stormtrooper que aparece no começo do filme, afinal ele tem um despertar e se rebela contra seu papel de soldado, criando uma das situações mais inusitadas da franquia, que foi jogado fora em troca do protagonismo de Rey. E as semelhanças com Josstice só aumentam: a falta de protagonismo do Ciborgue no filme pesou no personagem e na trama, já que vimos o quanto o Ciborgue amarrou pontas soltas no Snyder Cut (o próprio Snyder revelou que o Ciborgue seria o coração da trama, e foi).
E nesse ponto, um Snyder Cut seria fundamental para salvar a trilogia sequel, vimos como o protagonismo do Ciborgue foi essencial para o Snyder Cut e muito do que acontece na trilogia sequel deveria ser ajustado para que Finn se tornasse o protagonista, mas o que assistimos é o descarte de um personagem ótimo e até mesmo a ridicularização do mesmo – no terceiro filme, A ascenção Skywalker (2019), o personagem passa por cenas de comédia enquanto é alvejado por tiros, enquanto outros personagens são retratados como heróis durante a ação.
Assim como Boyega, Fischer foi descartado no Josstice por questões raciais (existem um processo jurídico sobre isso) e quando Zack Snyder retoma a direção do filme ele faz questão de destacar Fischer e o personagem, isso é o que deveria acontecer na trilogia sequel, esse olhar de Snyder para o ator/personagem salvou não só o filme, mas o adequou ao cenário atual, onde pessoas negras lutam por protagonismos na sociedade. Para o Josstice, foi considerado que não deveria existir um “homem negro raivoso” no filme, não seria algo que venderia, comercialmente não seria o ideal, assim como Finn, interpretado por um negro, não seria um jedy – comercialmente falando – que despertaria a Força. Em uma entrevista, Boyega relatou que: “Enquanto filmava Star Wars, foi forçado a participar de um treinamento de RP (relações públicas) porque foi informado de que parecia estar “muito zangado”.”
