
Com a pandemia de Covid-19, muita gente acabou ficando em casa e com isso a demanda por atividades ou entretenimento aumentou e plataformas de streaming se tornaram nossas companheiras. E seja para fazer companhia durante a tarde ou para passar o tempo, as séries foram nossas maiores rotas de escape do tédio. Assistimos várias séries, lançamentos ou não. nos apaixonamos por personagens que só retornarão em um ano. Nos despedimos de alguns que nunca mais voltarão.
E pensando em todas esses séries que consumimos, procurei algo em comum, independente da plataforma ou da data de lançamento. E minha busca não durou muito, a maioria das séries de sucesso estreiam com o pé-direito, como foi o caso de Loki, que apresentou um primeiro episódio excelente e cativante (e cheio de referências). Ou o caso de Elite, que tem um episódio de estreia com um suspense envolvente e clichês que se fazem necessários.
Parece óbvio pensar que a estreia de uma nova série tem que ser excelente ou envolvente, ou até mesmo épica, mas, tem muita série que deixa o melhor para os episódios seguintes, como WandaVision (2021), que se reinventa dentro da série, passando de uma sitcom para uma série de aventura e ação nos episódios finais. Outro exemplo de séries que não mostram um primeiro episódio excelente, mas, que depois surpreende, é a série Xena, a princesa guerreira (1995), que tem um primeiro episódio morno, mas que esquenta com o passar dos episódios, abordando temas mais sérios e envolventes – com uma temporada excelente na Índia.

É evidente que, na época do streaming, um bom primeiro episódio é tudo. 13 Reasons Why (2017) é um exemplo disso, o primeiro episódio fisga o espectador, que acaba se sujeitando a assistir uma série tensa, densa e até exagerada em suas abordagens, mas que ficou preso pelo primeiro episódio. Um outro caso de sucesso é Stranger Things (2016), que tem um primeiro episódio que agarra o espectador pela nostalgia e visuais incríveis, com um final (de episódio) que lembra os filmes da Sessão da Tarde, deixando a história em aberto para os episódios seguintes, que ficam na obrigação de manter o mesmo nível de acolhimento nostálgico do primeiro ep.
E ainda tem os casos de séries que estreiam com o pé direito e se perdem no caminho, mas que mantém uma base de fãs consistente, como Supernatural (2005), que tem um espetacular primeiro episódio e, assim como The Walking Dead (2010), a série se perde algumas vezes e se desenvolve de maneira arrastada. Outro exemplo de desenvolvimento “desorientado” é Game of Thrones (2011), que tem um primeiro ep. muito envolvente e vai se perdendo, até chegar a final que decepcionou muita gente.

Não existe uma fórmula para um primeiro episódio perfeito, recentemente a série das Meninas Superpoderosas teve seu episódio piloto rejeitado por ousar demais (demais, mesmo) e temos o caso de O Legado de Júpiter (2021), que não ousa muito no primeiro ep. e acabou afastando o público (o que é só sintoma de um problema maior da série que foi cancelada). O que podemos afirmar é que em uma apresentação é importante deixar claro quem é o protagonista; qual evento principal podemos esperar; se há um vilão, quem é ou o que ele quer; qual o tom da série, se é comédia, drama, suspense, etc. E esse tipo de informação serve para situar o espectador dentro do universo da obra, Sweet Tooth (2021) faz isso muito bem, em 15 minutos de série sabemos sobre os maiores eventos da série e já conhecemos os núcleos principais.
A séries citadas aqui estão disponíveis nas plataformas de streaming Netflix, HBO GO, Amazon Prime Vídeo e Disney+. Apenas a série Xena, a princesa guerreira que não se encontra disponível em streaming