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Crítica: Escape Room – ★★☆☆☆ (2019)

Enquanto um novo gênero do terror foi inaugurado e exaurido com franquias desidratadas como Jogos Mortais e O Albergue, Escape Room se mostra uma opção family friendly e capaz de divertir mais do que angustiar sem necessidade de torture porn. É uma pena que, apesar disso, o roteiro é fraco, as soluções são forçadas e os puzzles não exercitam o Sherlock Holmes interno de cada espectador, nos deixando pouco entusiasmados para escapar das armadilhas junto aos personagens.

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Produzido pela Columbia Pictures e dirigido por Adam Robitel, Escape Room é um filme de terror com nenhum apelo ao torture porn, o que por si só poderia ser um grande mérito se o longa nos compensasse de outras formas. Para início de análise, parece que faltou o roteirista conhecer o que já havia de óbvio dentro do gênero no qual iria se aventurar, pois aposta no puro suco do óbvio: seis pessoas aparentemente sem ligação (sem surpresa quando o contrário é revelado) se reúnem num jogo de Escape Room com o objetivo de ganhar o prêmio de 10 mil dólares. Logo as armadilhas se mostram realmente  mortais e “biográficas” (cada uma trazendo ligação com a vida das vítimas) e o desfecho é um dos piores possíveis.

Mas tudo bem, pois não parece haver intenção alguma de surpreender o espectador, uma vez que a cena inicial revela o sobrevivente do Escape Room (eu não entendi o sentido disso). Um spoiler na cena inicial serviria bem para causar uma inversão no ponto de vista ao fim do filme, como um plot twist, mas não é isso que acontece, o que você viu no começo realmente é o desfecho do filme. Além disso, o recurso de flashbacks para justificar a presença de cada personagem no jogo (as vítimas têm motivos para estarem ali, isso não é nenhuma novidade) é um recurso pobre, nos entrega tudo mastigado e não instiga tensão.

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Falando em entregar mastigado, as armadilhas não são inteligentes e não nos fazem sentir inseridos no jogo, não despertam o nosso detetive interior tentando resolver os puzzles. Uma das poucas vezes que isso rolou enquanto eu assistia ao longa foi num puzzle completamente irrelevante, que servia apenas para abrir uma porta. Não apelar para o gore é completamente válido, mas acredito que as armadilhas deveriam sim fazer crescer tensão e adrenalina. O mesmo deveria ocorrer ao investigar o passado das vítimas do jogo, para entender o quebra cabeça do autor do Quarto, uma vez que cada armadilha, ou cada quarto por onde passam, é especificamente construído para essas vítimas. Mas isso não acontece, não conseguimos ser cativados pelos personagens que parecem perder sua identidade ao longo do filme.

O filme coloca seu clímax nos momentos errados: após passar pelo último desafio do quarto, um personagem responsável pelas armadilhas mortais é revelado e um diálogo extremamente didático acontece. Você não precisa exercitar imaginação, intuição, inteligência, nada… apenas digerir o que lhe é servido. E por último fica uma citação a uma cena que me deu preguiça de ver o resto do longa: uma descoberta completamente inútil de um anagrama que não serviu para nada, exibido como um grande trunfo de roteiro. Mas era apenas um anagrama irrelevante e que não surpreende. 

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E como cereja do bolo, existe um gancho muito forçado para uma continuação, uma vez que parece que o vilão do filme consegue esconder uma enorme instalação high tech onde abriga o Escape Room e arquiteta as armadilhas melhor do que o próprio Batman esconde sua Batcaverna. É realmente uma coisa de louco que minha suspensão de crença não aceitou. 

Apesar de tudo, o Jogos Mortais family friendly que aqui temos é divertido. Ele não exige estômago pela falta de apelo gore e nem exercício de inteligência pela falta de originalidade e capricho no roteiro. Não terminei o filme com vontade de assistir sua sequência; é um entretenimento pontual e rápido, sem necessidade de digestão e assimilação.

Sobre Emerson Dutra

Um psicólogo que tem o mundo nerd como seu guarda roupa para atravessar para uma Nárnia que é mais divertida, interessante e justa que nossa realidade compartilhada.

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