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Crítica: Esquadrão Suicida 2 – ★★★☆☆ (2021)

Entregando uma experiência Marvel, está entre nós Esquadrão Suicida 2. Sob a direção de James Gunn e embebido na fórmula Marvel, Esquadrão Suicida 2 supera o primeiro longa, mas é esquecível.

Quem são os personagens de O Esquadrão Suicida - NerdBunker
Divulgação

Depois de David Ayer lançar um dos primeiros longas de equipes de “heróis” da DC, um mix de sensações tomaram conta dos espectadores. E a cada trailer da sequência, um novo mix de sensações emergia no potencial espectador. Enquanto o primeiro longa abusava de cenas de ação em seu material promocional, ES2 apostou em cenas controversas e engraçadas (impossível não comparar com Deadpoll). E, sem sombra de dúvidas, o maior apelo foi o pedestal em que James Gunn esteve durante toda a produção do longa. Os fantasmas da Marvel foram suficientes para fazer do diretor um nome de peso para convencer o espectador, Guardiões da Galáxia serviu como portfólio e funcionou melhor que qualquer teaser, trailer ou banner de divulgação para Esquadrão Suicida 2.

O primeiro filme, Esquadrão Suicida (2016) foi quase 100% descartado nessa nova versão, que é quase um reboot, só aproveitando a premissa base e alguns personagens. Mantendo-se como um filme de super-vilões que precisam cumprir uma missão, o elenco conta com Margot Robbie (Arlequina), Jai Courtney (Capitão Bumerangue), Joel Kinnaman (Rick Flag) e Viola Davis (Amanda Waller), que já estavam presentes no primeiro longa e apresenta Sylvester Stallone (Tubarão-Rei, curiosamente, dublado pelo dublador do Stallone), Idris Elba (Sanguinário), John Cena (Pacificador), Peter Capaldi (Pensador), David Dastmalchian (Bolinha), Daniela Melchior (Caça-Ratos 2) e outros atores que acabam vivendo – brevemente – alguns vilões.

E a base da história segue a mesma: os vilões sob ordens de Waller devem realizar uma missão secreta sob comando do Rick Flag. E aqui os erros começam a surgir. Ignorar o primeiro filme é assustador, um evento que envolveu uma cidade ser ignorado na sequência é absurdo! É como se toda a trama do primeiro filme fosse uma briga de bar, que ninguém liga, mas até aqui, OK. O problema esta na trama sem tempero e gélida. 

Por um motivo desconhecido pela humanidade, a trama resgata os tempos de Guerra Fria e coloca um país fictício da América do Sul como um lugar pobre, atrasado e com uma ditadura recém criado, cheio de guerrilheiros na floresta e visualmente nos anos 70 (80 no máximo). Ao ponto em que é impossível, assistir ao filme, sendo um sulamericano, não se incomodar com isso. Há uma cena em que um quadro de Simón Bolívar é rasgado, para muitos da América do Sul, isso seria o equivalente a rasgar um quadro do Abraham Lincoln ou George Washington. Fora isso, a bandeira do país fictício do filme faz alusão à bandeira da Venezuela, um país que se encaixa no clichê usado no filme para retratar a América do Sul e que vive conflitos políticos com os E.U.A..

Há uma mea culpa no filme, quando descobrem que os E.U.A. criaram Starro na ilha como um acordo entre os governos, mas não cobre a visão xenofóbica de Hollywood com a América do Sul.

Fora questões políticas que transcendem o filme, há muita cena que se resolve com uma reviravolta “inesperada”, como quando o personagem (spoiler) está comemorando seu trinfo sobre um vilão e algo cai sobre ele, ou quando Arlequina está em um momento emocionante e isso derrapa para uma cena violenta em questão de um ou dois frames. E esse tipo de cena é constante, é como um jump scare nos filmes de terror, foi usado sem moderação. 

Fora o roteiro que é sem graça, as cenas “inesperadas” e a xenofobia hollywoodiana, o filme mantém a trilha sonora de alto padrão da versão de Ayer e adiciona muito, mas muito, soft gore, com mortes que chamam a atenção e cenas bem dirigidas (aqui Gunn faz o que não pôde fazer na Marvel). E isso apresenta um problema, algumas cenas são “teasers” de cenas, momentos de 20 ou 30 segundos de cenas engenhosas (como Tubarão-Rei rasgando uma pessoa ao meio) no meio de um filme montado sobre essas cenas mais engenhosas (que fique claro que isso não é demérito).

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Reprodução

E a trilha sonora e o soft gore não estão sozinhos no poduim dos acertos, Idris Elba, John Cena, David Dastmalchian e Daniela Melchior mandam muito bem, se destacando em momentos de humanização dos personagens (um desses momentos conta com Taita Waititi) e nos momentos de ação, principalmente Idris Elba e John Cena quando estão juntos. Os personagens já conhecidos se mantém em seus papeis, mas todos alterados, Waller está mais emotiva e menos racional, Flag está “menos soldado” em relação ao primeiro filme e Arlequina está mais madura, ela é a única personagem que parece ter crescido entre os filmes, principalmente nas questões amorosas.

Esquadrão Suicida 2 é melhor que o primeiro, abandonando o tom sombrio, colocando vilão com comportamento de vilão, exagerando na violência (algo que combina com vilões) e com um vilão principal não tão colossal como de costume nos filmes da DC, ES2 se sobressai em vários pontos em relação ao primeiro longa, mas era no roteiro com uma história central fraca, bebendo das fontes pós-guerra fria. Fazendo o seu maior acerto ser a maneira que trata seus personagens, matando uns, humanizando outros e abandonando uma galera (pela quantidade de vilões apresentados nos trailers, posso dizer que uns morreram na praia). 

Um filme para quem quer ver ação, comédia e muita morte. E se você gosta de ver brasileiros em longas hollywoodianos, Alice Braga está no filme e Karol Conká (sim a do BBB) está presente de alguma forma no filme. E não saia do cinema antes dos créditos terminarem.

O filme segue em exibição nos cinemas, com previsão para chegar ao catálogo do HBO-Max em setembro.

Sobre Dan Claudino

Professor de História, aspirante a podcaster e escritor. Viciado em cultura cyberpunk e jogos de ação.

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