Uma das melhores coisas da vida, quando envelhecemos, é entendermos os significados de algumas palavras, como por exemplo a palavra adaptação, para que define e resume esta crítica de Injustice (2021).

Com uma história original, Injustice – God among us (2013), foi um grande sucesso nos vídeo games, ganhando uma continuação em 2017. E agora, 2021, ganhou uma adaptação em animação. E, a palavra adaptação, resume bem o interesse e propósito do filme. Com a mesma base narrativa, Injustice segue por caminhos diferentes e explora momentos não vistos no game.
Seguindo a linha cronológica, em que o vilão Coringa mata* Lois Lane, grávida, e enfurece o Superman, que o mata, Injustice repete (até aqui) o que nos é apresentado no vídeo game. Após a morte de Lois, Superman começa sua revolta contra a humanidade e contra o código de justiça do Batman e da Liga da Justiça. Ganhando seguidores, como a Mulher Maravilha e opositores, como o Batman.
Injustice é um “What if…?” da DC, onde acompanhamos um “E se o Superman se revoltasse com a Terra?”. Ao matar o Coringa, o Super, assume um papel de regulador da justiça, encerrando guerras e diminuindo a criminalidade, ao custo de um tirano. E sem demoras, a animação ganha um rumo diferente do jogo, aqui não há uma conexão entre a Terra 22 e a Terra 1 como no jogo, onde vemos Batman liderar a revolta contra o Super.
Essa diferença é fundamental para a história que se segue, pois, acompanhamos os feitos do Superman enquanto um tirano. E um desses feitos (que destoa muito do jogo) é a aproximação do heróis com Ra’s al Ghul, que se aproveita da raiva do herói para colocar um plano em ação.
Em meio a essa subtrama do vilão, assistimos algumas lutas fantásticas, como a que acontece em Arkham Asylum, que lembra muito o jogo e termina com um desfecho que faz o Batman chorar, literalmente. Fora essa cena que é parecida com o jogo, há alguns ataques que são referências fantásticas aos ataques especiais que existem no jogo, bem como outras lutas que remetem ao jogo, como o combate na Fortaleza da solidão e o treinamento do Robin com Asa Noturna na batcaverna.
Com as diferenças de roteiro e adição de novos personagens, como Incrível, Ra’s al Ghul e Amazon, a animação segue uma linha racional e mostra que para se contar uma história de super-herói basta ter um começo, meio e fim e apresentar um ou outro dilema heroico a ser discutido.
Diferente do jogo, a animação não tem medo de matar seus personagens, como Cyborgue ou Arqueiro Verde, que foram mortos de formas cruéis, além de outros personagens e figurantes que morreram em tela. Essas mortes mostram um certo amadurecimento das animações da DC, algo que vem desde Flashpoint (2013) e está se tornando recorrente nas obras de super-heróis.

Possuindo uma animação fluida e designs bem feitos, Injsutice é agradável aos olhos, diferente das últimas animações da DC que deixaram a desejar, como Sociedade da Justiça (2021). Curiosamente, Injustice adotou tons de preto nos rosto, mãos e tórax dos personagens, algo que pode criar estranheza aos espectadores, mas que combinam e criam personalidade nos personagens.
Injustice é uma boa pedida para os fãs de animação e fãs da Liga da Justiça, mas pode ser uma decepção aos fãs do jogo de 2013, principalmente aos que não conhecem a definição de adaptação.
*o Coringa manipula o Superman, que mata sua amada.