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Crítica: Mestres do Universo: Salvando Eternia – ★★★☆☆ (2021)

Depois da tão aguardada espera, a nova animação de He-Man está entre nós. Ou quase isso. A nova animação da Netflix, Mestres do Universo: Salvando Eternia, produzida pelo Powerhouse Animation Studios, o mesmo estúdio de Castlevania, não é sobre He-Man, como como nos foi vendido nos primeiros trailers, e sim sobre os Mestres do Universo (que pode ser qualquer personagem do universo de He-Man, isso inclui aquele personagem secundário que ninguém liga).

Mestres do Universo: Netflix divulga primeiras imagens e data de estreia da  nova animação
Reprodução

Os últimos materiais de divulgação já destacavam os Mestres do Universo como protagonistas da série animada, mas não descartavam He-Man, como aconteceu nos 5 episódios que chegou ao streaming. Logo no primeiro episódio já acontece um evento que dispensa o Príncipe Adam/He-Man do papel de destaque, colocando Teela como protagonista.

Logo no primeiro episódio (e que episódio!) temos um resumo do universo da animação, recapitulando os principais temas que envolvem He-Man e Esqueleto, com uma arte estática linda! E esse é um dos poucos momentos fortes da animação, os outros 4 episódios são genéricos (até para He-Man), com um aprofundamento desnecessário, como o 4° episódio que destaca Gorpo e seu passado e o fato dele sempre errar nas magias. 

Mas antes de destacar os pontos fracos, vamos aos pontos fortes: a animação é boa, não é muito fluída 100% do tempo, algumas cenas são quadros estáticos com um movimento de câmera (no ep. 01 quando Teela corre para Grayskull é um bom exemplo disso), mas nas lutas e cenas de ação a animação é excelente. O design dos personagens são fantásticos, passa a mesma sensação de continuidade dos personagens dos anos 80 (e dá vontade de comprar os colecionáveis). Outro ponto forte é a dublagem brasileira, a voz do Esqueleto é impecavél, Guilherme Lopes faz um trabalho lindo dublando o vilão, respeitando a dublagem clássica de Isaac Bardavid, hoje com 90 anos. 

E o último ponto positivo é a continuidade dos episódios, nos anos 80 não existia essa preocupação, nos 130 episódios clássicos, menos que 20 eram sequenciais e davam peso à história. Em 2021, os 5 episódios são sequencias e respeitam as aventuras vividas nos anos 80, mas isso não salva a narrativa chata e enlatada da nova animação. 

Spoilers abaixo

Eduardo Rivera on Twitter: "#Andra from #MastersoftheUniverse is the latest  victim of black washing white characters from the Kevin Smith He-Man  Netflix series. Still think it won't be woke?… https://t.co/PBYolFPJsv"
Andra, reprodução

A animação acompanha Teela, Andra* (que agora é uma personagem negra), Maligna e Gorpo, que devem recuperar as duas metades da Espada do Poder. E até esse ponto, sem problemas, poderia ser uma aventura legal, mas não é, o vilão que substituiu Esqueleto (que está “morto”) é o Triclope, um personagem ruim, esquecível e insignificante, que agora prega conta a magia em sua religião que cultua a Placa-Mãe, um liquido que transforma as pessoas em mechas.

No desenrolas dos episódios, Roboto e Mentor se juntam ao time, por ultimo, Homem-Fera. E quando menos se espera, os aventureiros estão em uma Eternia onde se veem com outros Campeões (He-Mans de outras eras/universos) em uma cine cheia de “emocionismos” forçados envolvendo o Príncipe Adam.

Fim dos Spoilers

Mas o pior da história é o fato dela ser pouco aventuresca, com um dramalhão denso e que ofusca os personagens e os momentos bons. Mas a cereja do bolo de erros é o “vilão” Tríclope, ele é muito ruim em vários aspectos, a pregação conta a magia e o apego à tecnologia é idiota, poderiam usar tantas outras ferramentas para torná-lo vilão, como, por exemplo, ele apenas cometer crimes e/ou tentar tomar o lugar do Esqueleto.

Com cinco episódios, a história da nova série animada dos Mestres o Universo está apenas começando, o final da primeira parte é um gancho enorme, criado para estimular os espectadores para a segunda parte. Os Mestres do Universo: Salvando Eternia está disponível na Netflix.

*Andra, além de ser transformada em negra, ela faz o papel do “Negro Mágico”, um estereótipo que coloca personagens negras(os) em papéis de ajudantes inteligentes com poderes ou habilidades mágicas/tecnológicas.

Sobre Dan Claudino

Professor de História, aspirante a podcaster e escritor. Viciado em cultura cyberpunk e jogos de ação.

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