
O novo longa Metal Lords, que conta uma história sobre amadurecimento e descobrimento, mas que também é como uma carta de amor ao metal, acaba de estrear no catálogo da Netflix. Na trama vamos acompanhar um grupo improvável de jovens unindo forças para vencer a Batalha das Bandas, cada um com sua motivação pessoal, enquanto enfrentam os dilemas clássicos da adolescência. Com uma trama voltada para o público teen, Metal Lords se esforça para recriar cenários que fazem parte de uma possível imagem da juventude para conquistar a atenção do espectador com sua história original.
A parte musical, focada no metal, serve como uma espécie de saudosismo para os mais velhos, que também ouviam (ou ainda ouvem) os clássicos desse gênero. Há também algumas referências a elementos da cultura pop em geral, que expandem ainda mais o conteúdo do longa.
Em sua trama, Metal Lords consegue abordar diversos temas específicos da juventude e os tratar de forma interessante. Há representações do bullying, da descoberta social, amizades, intrigas com os pais, uso de drogas, e o principal, a busca pela identidade. O longa consegue explorar esses temas muito bem, mesmo que com toques bem superficiais, sem adentrar na questão. Isso se deve ao fato de que o foco do longa está exclusivamente em desenvolver um clima nostálgico e de resgate do gênero do metal, por isso, ele tende a recriar esses momentos apenas dentro deste contexto. Esse ponto funciona bem, pois o filme serve não apenas como nostalgia, mas também como introdução para o público mais novo desta geração poder conhecer o metal sob uma perspectiva mais atualizada.
Como uma comédia, o filme tem um estilo de humor bem peculiar, com piadas sutis e funcionais. Em alguns momentos, o filme me fez lembrar Escola do Rock, um clássico de 2003, que também tenta abordar uma nova perspectiva do rock para um público mais novo, colocando o professor (Jack Black) como apaixonado pelo gênero. O professor decide usar o talento de seus alunos para vencer uma Batalha de Bandas. Tanto em Escola do Rock, como em Metal Lords, é desenvolvido a ideia do sonho de ser reconhecido ao se tornar uma estrela da música e também contam com uma batalha de bandas, embora em Metal Lords o desfecho seja um tanto quanto diferente.
O elenco do filme é recheado de estrelas, que o fazem brilhar ainda mais. Jaden Martell (It: A Coisa, Entre Facas e Segredos) interpreta Kevin Schieb, o melhor amigo de Hunter que toca bateria em sua banda. Diferente de seu amigo, Kevin não é apaixonado por metal, o que traz diálogos engraçados com seu amigo, que venera o metal. Hunter Sylvester é interpretado por Adrian Greensmith, em seu primeiro papel, que entrega um personagem muito divertido e cativante. Ele é guitarrista, e sua paixão pelo metal é muito bem retratada com momentos muito bons ao longo do filme, os personagens tem muitos gostos pessoais intrigantes que o tornam ainda mais divertido. Isis Hainsworth (Emma, Mulheres Ao Poder) está no filme como Emily Spector, que toca violoncelo e é a terceira e improvável integrante da banda, ao lado de Kevin e Hunter. A personagem de Hainsworth apresenta um contexto pessoal bem interessante. Ela sofre com ataques de raiva e luta para encontrar a felicidade.
O trio é um grupo um tanto quanto inusitado e muito cativante. Embora os personagens não compartilhem do mesmo gosto musical, o vínculo de amizade entre Kevin e Hunter é forte o suficiente para os unir e também para vencer a resistência de Hunter em aceitar Emily como baixista da banda. A trama do filme irá se desenvolver com diferentes caminhos e que apresentam momentos própiros da adolescência, que são bem desenvolvidos. Há outras participações especiais no elenco, além de nomes também conhecidos como Brett Gelman (Stranger Things), Phelan Davis (Amercan Vandal), Noah Urrea (The Fosters, Now United), Joe Manganiello (How I Met Your Mother). O longa também conta com a presença de alguns ícones do metal que os fãs irão reconhecer logo de cara.
A direção do longa ficou nas mãos de Peter Sollett (Nick & Norah: Uma Noite de Amor e Música), que soube conduzir cada sequência do longa. Os momentos são bem construídos e tem uma boa imersão. Há alguns entraves na metade do longa, mas nada que tire sua leveza ou que o deixe arrastado. A escolha dos ambientes também foram bem acertadas, trazendo aquela essência básica teen. Há cenas muito bem dirigidas no longa, que captam momentos únicos, como quando Hunter decide se vestir “a caráter” como metaleiro, a cena é ótima e muito bem realizada, do seu início até o desfecho.
A trilha sonora do longa é outro grande destaque, com clássicos de bandas conhecidos, que os fãs com certeza irão gostar, e os mais novos terão a chance de conhecer. A trilha sonora carrega músicas de bandas como Judas Priest, Iron Maiden, Avenged Sevenfold, Mastodon, Ozzy Osbourne e Metallica. As músicas são reproduzidas em cenas muito bem elaboradas e encaixam perfeitamente com o clima.
Metal Lords é um inegável sucesso da Netflix. O filme desenvolve muito bem os elementos que se propõe a discutir, apresentando uma história original e muito cativante, tanto pela nostalgia quanto pela novidade. O elenco do filme é recheado de estrelas, com nomes consagrados que estão ótimos em seus personagens, com destaque para o primeiro trabalho de Adrian Greensmith que está incrível no papel e torna o filme ainda mais divertido. O filme tem uma condução precisa e muito bem desenvolvida, que se mantém bem ao longo de sua curta duração, trazendo ótimas cenas.
Metal Lords está disónível na Netflix.