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Crítica: Outer Range – 1ª Temporada ★★★★★ (2022)

(Reprodução)

A nova série do Prime Vídeo que parecia misturar, de forma duvidosa, os elementos de ficção-científica com dramas familiares em um contexto de western, acerta na construção de um mistério eficiente e que prendeu minha atenção durante toda a temporada, abrindo espaço para uma nova abordagem do gênero já batido. Com um começo bombástico e extremamente intrigante, a série faz uma grande revelação logo no início e passa a desenvolver uma trama pra lá de conceitual durante a primeira temporada. Com viagens no tempo e uma pegada western totalmente reformulada para uma nova perspectiva.

Outer Range é tudo que qualquer cinéfilo de carteirinha poderia querer, desde diálogos extremamentes bem estruturados e simbólicos à sequências visualmente impressionantes.

Na trama acompanhamos a família dos Abbott que é abalada por um assassinato repentino que acabou envolvendo todos os membros da família. O crime acontece no primeiro episódio e a temporada se passa com o desenvolvimento dos acontecimentos ao redor daqueles que estão diretamente envolvidos com a morte. Há diversos núcleos de interesse que são apresentados pela narrativa, cada qual fazendo o caso andar por um motivo que é pessoal de certa forma. Ao mesmo tempo, temos a revelação do maior mistério da série, uma cratera que surge no pasto da família Abbott, que desperta não só a curiosidade, mas também interesses mais sombrios daqueles que a descobrem.

É impossível dar detalhes dessa trama sem revelar qualquer elemento que seja importante para se compreender a obra. A narrativa contém diversos elementos que não só tornam a obra intrigante, como também mudam e entram em conflito a todo instante, gerando uma sequências de causalidades que vão determinando o desfecho de tudo. Essa aposta em plot twists funcionou muito bem na série e me deixava com vontade de saber o que viria a seguir a todo momento, por mais óbvio que pudesse parecer. O roteiro faz ótimas apostas, principalmente nos diálogos extremamente simbólicos, que conduzem a trama para uma composição complexa, ao mesmo tempo que simples.

As atuações são impecáveis, é como se cada personagem estivesse totalmente familiarizado não apenas com a história, mas principalmente com o objetivo da produção. O grande destaque é o personagem misterioso de Josh Brolin, Royal Abbott, que protagoniza toda a série e carrega em suas costas as escolhas mais difíceis a serem tomadas. O personagem é profundo e imersivo, com uma revelação interessante que nos é dada próximo do final. A personagem de Imogen Poots também está excelente na série, com interesses sombrios e misteriosos que me deixou intrigado por um longo tempo, até que foi desvendado mais sobre ela.

A personagem de Tamara Podemski, a cherife Joy, é outra personagem que faz a trama andar, na sua busca por solucionar o assassinato ao mesmo tempo que tenta equilibrar a balança de sua candidatura. Noah Reid, que interpreta Billy Tillerson, é outro que me cativou pelo seu modo de atuar e a forma como desenvolve as características do seu personagem. O ator protagoniza cenas bem simbólicas que dão um ar diferenciado para a série.

Além do espetáculo de roteiro e de atuações, Outer Range tem um visual deslumbrante e extremamente imersivo, capaz de te prender profundamente nas imagens que são postas em cena. A construção dos cenários é bem detalhista, reproduzindo e criando elementos precisos para a composição de todo o ambiente, tornando a experiência bem impressionante. Sem contar as cenas emblemáticas que utilizam de alguns efeitos, que foram muito bem realizados. As sequências podem soar lentas de um lado, mas possuem um grande peso simbólico para tudo que está sendo construído ao longo dessa temporada inaugural.

Outer Range é, sem dúvida, uma série com uma trama bem pensada, que se interliga de forma graciosa ao longo de seu desenvolvimento, como aquele barulinho de peças se encaixando perfeitamente: é uma satisfação imensa. O roteiro da série faz excelentes apostas no seu desenvolvimento e a trama caminha de forma muito orgânica. As atuações são um show a parte para a série, algo impressionante, com atores cativantes o suficiente para manter o seu interesse pelos personagens e os mistérios que estão envolvidos. Como fã de ficção-científica, iniciei a série em dúvida se iria gostar e saí extremamente satisfeito com o resultado final.

A Primeira Temporada de Outer Range está disponível na Amazon Prime Vídeo com 8 episódios.

Sobre Carlos Valim

Apaixonado por cultura pop. Aprendendo a escrever críticas menos emocionadas. Professor de História e fundador do GS.

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