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Crítica: Turma da Mônica – Lições ★★★★★ (2021)

(Reprodução)

Turma da Mônica: Lições estreou no catálogo do Prime Vídeo e traz a querida turminha do bairro do Limoeiro em mais um aventura, e de forma despretenciosa conquista nossa atenção, como em uma viagem nostálgica, mais uma vez. O longa é continuação de Turma da Mõnica: Lações, que não só amadurece, como também nos ensina de forma simples e graciosa, conceitos complexos da vida. No longa, seguimos mais uma vez as aventuras da turminha, que ao bolarem um plano para matar um dia de aula para fazer a lição que haviam esquecido, se deparam com um problema inesperado que vai colocá-los diante de um novo desafio. A forma de contar a história segue o mesmo padrão incrível do seu antecessor, mas aqui, tudo parece ainda mais envolvente, cada novo elemento foi acrescentado com maestria, tornando essa aventura nostálgica um deleite completo.

A forma como Daniel Rezende conduz, brilhantemente, a narrativa em um caminho seguro e repleto de referências aos personagens, tornam este um filme muito emocionante, que irá cativá-lo pelo imenso carisma do elenco. A forma como a história é conduzida, deixa tudo ainda mais agradável. Optar por dar aos personagens momentos em que pudessem brilhar de forma independente foi um acerto positivo para essa nova trama. Em Lições, como o próprio nome já sugere, iremos acompanhar uma jornada de amadurecimento dos queridos protagonistas, que lhes é imposta após o plano de matar aula dar errado e resultar em Mônica com o braço quebrado. Após isso, os pais da turminha resolvem que deveriam ocupá-los com outras atividades, para que não passassem tanto tempo juntos. Esse acontecimento marca uma nova fase na vida das crianças, Mônica vai para uma nova escola na tentativa da mãe lhe forçar a conhecer novos amigos, enquanto Magali é matriculada em uma aula de culinária para controlar sua fome, Cebolinha vai para a fonoaudióloga tentar solucionar seu problema de fala, e Cascão deve enfrentar seu medo de água em aulas de natação.

A ideia genial de dar esse protagonismo para cada personagem não poderia ter dado mais certo. A forma como a interpretação das crianças casa perfeitamente com a forma como a história foi conduzida é incrível, um resultado impressionante. Após o primeiro longa, que foi um verdadeiro presente para os fãs, eu não estava esperando nada muito impactante com esse, pois o primeiro filme termina de uma forma muito concisa, que não necessitava de uma continuação. Mas fui surpreendido com a obra de Daniel Rezende, que não apenas é ousada, mas como também caminha em uma direção muito sólida, abrindo um gigantesco mar de possibilidades, principalmente se esperar e ver a cena pós-crédito, que se você assim como eu leu muitos os gibis na infância, irá se surpreender e se emocionar.

Não apenas a história ganha uma nova forma, mais madura, o elenco também absorve essa maturidade e transpõe ela com maestria na tela. Cada personagem no longa passa por um momento em que foi preciso enfrentar seus maiores problemas, a fim de assumir a responsabilidade imposta pelo crescimento. Giulia Benite entra novamente no papel de líder da turminha, Mônica, para nos emocionar mais uma vez, não agora com sua coragem, mas com sua grande sensibilidade e confiança. A personagem é forçadamente afastada de seus amigos, tendo de estudar em uma nova escola, sem conhecer ninguém. Esse acontecimento fará com que ela passe por importantes “lições” que a irão conduzir para reflexões sobre a vida. A personagem irá conhecer aquela que se torna uma espécie de mentora para ela, Tina, interpretada por Isabelle Drummond, junto de seu amigo Rolo, vivido por Gustavo Merighi. A sutileza com que as mensagens do filme são colocadas é intimista, conseguindo nos fazer colocar a pensar as mesmas questões.

Mas não apenas a Mônica de Benite tem essa incrível jornada de transformação, o restante da turminha passa pelo mesmo. Cebolinha, interpretado por Kevin Vichiatto, também tem de perceber o quanto seus medos colocam barreiras para a felicidade, ver o personagem ser confrontado com a frustação de se tornar o “dono da rua”, sem que isso importe mais, é intrigante, e funciona perfeitamente para colocar Cebolinha em uma posição de mudança. O mesmo problema também é enfrentado por Magali e Cascão, vividos por Laura Rauseo e Gabriel Moreira respectivamente, que devem perceber o quanto é importante aceitarem o processo de amadurecimento. Cada personagem terá o seu momento de brilhar, seja nos divertindo com cenas icônicas, que parecem terem saído direto dos gibis, como nos emocionando com o seu crescimento dentro deste universo. Todos os personagens que foram trazidos para a trama são essencias para dar uma leveza incrível para a narrativa mais dramática, aliviando o peso do que estava por vir. Sem contar as participações especiais, que por menores que sejam, carregam um catalisador de emoções que fica explícito no rosto desses convidados. Um deles eu preciso comentar, Mauricio de Sousa, que após aparecer como dono de banca de jornal em Laços, aqui também retorna para sua participação a lá Stan Lee, para contemplar sua obra ganhando vida diante de seus olhos.

Assim como a narrativa e o elenco, um amadurecimento significativo é o da direção; em Lições é possível ver o quanto o diretor se sentia mais livre para nos conduzir por esse universo de nostalgia. É como se em cada cena tivesse explícito um certo experimentalismo que deu incrivelmente certo e faz a narrativa ter a profundidade certa. Rezende encontrou a forma perfeita de narrar a história dessa turminha, sem abrir mão de usar os elementos de forma improvável e inesperada. A fotografia é imersiva, constrói um cenário muito nostálgico, muito rico, capaz de cativar até mesmo quem não conhece nada sobre a turminha, pela forma simplista e bela de elaborar os ambientes. As cenas e os diálogos são conduzidos com leveza, mesmo quando estavam passando uma mensagem mais pretenciosa, que faz com que a experiência do filme seja muito emocionante. A escolha de manter as cores características das roupas dos personagens, sem esgotá-las a um único “traje”, é muito bem acertada também, tornando a estética do longa algo deslumbrante.

E, por falar em emoção, a trilha sonora é um outro ponto chave em Lições. A escolha das músicas é perfeita, os instrumentais captaram muito bem as emoções das cenas e souberam transpor isso de forma excelente. Enquanto a música tema do filme é composta pela parceria inédita de Duda Beat com Flor Gil, na faixa “Que Som é Esse?”, que funciona muito bem e tem o clima certeiro para a forma como todo o longa foi construído.

Turma da Mônica: Lições é mais um presente incrível para os fãs e o melhor, não apenas pela nostlagia de nos trazer uma nova aventura da turminha, mas principalmente por nos emocionar com o inesperado, com a surpresa de se abrir a novas possibilidades e ousar. Digo com tranquilidade que esta produção se trata de uma das melhores obras já realizadas aqui em nossa terra brasilis. Um filme que irá emocionar qualquer pessoa que teve as aventuras da Turma da Mônica como parte de sua infância. Se você gosta de uma aventura leve para se entreter, Lições pode te surpreender pela genialidade em sua construção. Turma da Mônica: Lições está disponível no Prime Vídeo e tem cerca de 1h37 de duração e não se esqueça da cena pós-crédito!

Sobre Carlos Valim

Apaixonado por cultura pop. Aprendendo a escrever críticas menos emocionadas. Professor de História e fundador do GS.

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