Página Inicial / Críticas / Crítica: Yellowjackets – 1ª Temporada ★★★☆☆ (2021)

Crítica: Yellowjackets – 1ª Temporada ★★★☆☆ (2021)

(Reprodução)

O comentário que vi e me fez despertar o interesse por essa série foi o de que Yellowjackets é parecido com Lost. Essa frase é suficiente para criar várias questões acerca do conteúdo da série, sua trama, os personagens e, o principal, se envolve a queda de um avião. Com a semelhança com Lost servindo de orientação do meu interesse pela série, resolvi assistir Yellowjackets, da Paramount+. A premissa da série é simples, um time de jovens talentosas viajava para um campeonato quando o avião cai no meio do nada. As jovens terão de se unir e enfrentar um desafio que pode acarretar em duras consequências em suas vidas.

O modo como a série começa é suficiente para despertar o interesse, já apresentando um clima de mistério e drama bem intrigantes. Ao cair no local, o avião é destruído quase que completamente, levando a morte de vários passageiros. Na forma de conduzir os eventos iniciais, é possível resgatar sim uma semelhança com Lost, mas infelizmente os mistérios não são tão interessantes quanto pareciam, ao menos por enquanto.

Na história, iremos seguir por duas linhas de tempo diferentes, um é o dos personagens presos no local misterioso tentando sobreviver as mais diferentes adversidades. Na outra linha, acompanhamos os personagens 25 anos depois, mostrando suas vidas no dia a dia, aprendendo que é mais difícil do que parece apagar o passado. O ponto de partida dos eventos da série é uma suspeita de que alguém está investigando de forma secreta o passado dos sobreviventes do voo, fazendo reunir os personagens para lidarem com a situação, a medida que somos apresentados a vários flashbacks sobre o que acontecer. Embora essa escolha de como contar a trama tenha sido acertada, o conteúdo do que veio a ser debatido é um pouco abaixo do esperado.

Há sim mensagens extremamente importantes de serem discutidas que estão presentes no roteiro, muitas das quais contribuem para o novo modelo de sociedade que as produções cinematográficas querem construir, uma visão mais inclusiva e diversificada. Contudo, a trama se perde um pouco quando se prolonga debatendo questões “teen” que não agregam em nada para o mistério que estava diante dos personagens. É como se a situação em nada tivesse mudado a perspectiva dos sobreviventes, que insistem em questões triviais sobre sua adolescência. Esse é o ponto que a série se distancia de Lost e de qualquer tipo de mistério interessante que você possa imaginar, a partir de um certo ponto, os dramas juvenis tomarão conta, além da trama enfadonha que as versões adultas do personagens tem de lidar, que resultam em um dos desfechos mais mal pensados que a série poderia oferecer.

Um plano de fundo vazio, que não consegue criar uma sustenção firma o suficiente para manter a trama conectada, acaba sofrendo com subtramas e problemas entre as relações dos personagens, o que pode ser bem ruim. Se aprofundarmos mais ainda a comparação com Lost, os persongens deixam muito a desejar, mesmo levando em considerção serem um grupo de jovens. A tentativa de criar um mistério com a personalidade dos personagens é totalmente arruinada pela linha do tempo do presente na série. A medida que o drama esdrúxulo do presente rouba cada vez mais a cena, ele vai ofuscando os acontecimentos do passado, que ficam só em bate bocas entre jovens, com poucas falas impactantes que realmente agregam algo para a trama.

Mas se tem algo que não podemos reclamar, é da escolha de roteiro, que foi bem acertada, colocando em ação conhecidos nomes, que se relacionam muito bem e entregam boas atuações. O elenco do presente, com a versão adulta dos personagens é composto por Melaine Lynskey (Dois Homens e Meio) como Shauna, Tawny Cypress (Heroes) como Taissa, Christina Ricci (Matrix: Resurrections) como Misty e Juliette Lewis (The Act) como Natalie. A relação entre as personagens é boa, mas confesso que gostei bem menos da versão adulta delas, pois a trama que as envolve é muito ruim e seu desfecho é muito mal elaborado, embora transmita o peso da mensagem que queriam passar, ainda sim, era possível fazer de uma maneira menos arrastada e ilógica.

A versão mais jovem das personagens é um pouco melhor que os adultos, não pela qualidade de suas falas ou atitudes, mas sim por estarem inseridas em um contexto mais mágico, onde é possível agregar diversos mistérios interessantes. As versões jovens são Ella Purnell (Arcane) como Jackie, Spohie Nélisse como Shauna, Sophie Thatcher como Natalie e Sammi Hanratty como Misty. O elenco jovem é bom, os destaques ficam com Ella Purnell e Sammi Hanratty, que conseguem entregar boas atuações, casando com o clima que a série tenta criar. 

Yellowjackets tem boas cenas, com fotografias interessantes, que agregam muito na qualidade visual da série. Há bons cortes, com cenas bem conduzidas, que ajudam a manter o ritmo da série, sem o quebrar. Há um leve uso de efeitos especiais que, embora não sejam bons, conseguem representar aquilo que era necessário. A cena do avião caindo é boa e criou uma tensão interessante, assim como a cena com o urso na floresta, que também teve seu valor visual. O ataque mais brutal que veremos na série eu não darei spoiler, mas também tem boa qualidade gráfica. A trilha sonora também tem bons momentos, que combinam bem com o clima teen da série.

Mesmo com um clima que lembrava a icônica série Lost, Yellowjackets nada tem a ver e segue por rumos totalmente diferentes, desperdiçando boas tramas para dar vez a brigas e dramas adolescentes. A primeira temporada termina de forma que chama por uma continuação, portanto, quem sabe na próxima temporada eles decidam desenvolver melhor as tramas interessantes que foram deixadas de lado nessa temporada de estreia. Embora tenha um aspecto de uma história de mistério, com alguns elementos sobrenaturais, a primeira temporada da série vai caminhar por caminhos diferentes, indo mais para o drama teen. Yellowjackets está disponível na Paramount+ e conta com 10 episódios de cerca de 1 hora.

Sobre Carlos Valim

Apaixonado por cultura pop. Aprendendo a escrever críticas menos emocionadas. Professor de História e fundador do GS.

Você pode Gostar de:

Crítica | “The Acolyte” – 1ª Temporada ★★★☆☆

No vasto universo de Star Wars, “The Acolyte” se destaca como uma das mais ousadas …

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *